Arquivo da categoria: Semi-árido Nordestino

En Brasil: Palma en tiempos de sequía es un alimento alternativo para el ganado de leche

28/07/2016    JY   Geotecnologias

Hola todos,

Aquí en Brasil, en el Estado de Minas Gerais, la producción de la leche es algo de gran importancia para los productores, aunque no tenga agua suficiente, la oferta de palma es muy grande. En mi Estado, Paraíba no es diferente, sigue la misma idea por cuenta del clima, de la región tener un extenso cultivo de palma y con eso mejorar las producciones de las fincas.

Los productores rurales invierten en el cultivo de palma de forraje como una opción para complementar la manada lechera, especialmente en épocas de sequía. Sin depender directamente de la lluvia, la planta sirve como alimento para ganado, cabras y ovejas, así como ayuda en la hidratación de los animales, puesto que consiste en 90% de agua.
Para ampliar la oferta de palma en la región, la empresa de Investigación Agropecuaria de Minas Gerais, la EPAMIG, provee plantas de semillero y permite el crecimiento a los productores locales. Según un investigador que trabaja en el sector, Polyanna Oliveira, Directora  del sector dijo que los trabajadores de extensión deben proporcionar técnicas de apoyo a todos de las unidades administrativas que plantó la palma. La investigación se basa en dos variedades de forraje: Palma grandes y pequeños o dulce. El objetivo es averiguar cuál es el mejor en cuanto a tamaño y cantidad de nutrientes.

A menudo los agricultores siembran maíz o sorgo, pero la sequía entre una lluvia y otra traen perjuicio a los productores. La palma posee nutrientes para el animal, pero no tienen fibras nutricionales y componentes de proteína además de la materia seca.

VENTAJA
Su gran ventaja es ser una buena opción para la dieta de los animales y en épocas de sequía abastece muy bien. Para darte una idea, en una sola hectárea de tierra es posible obtener más de 100 toneladas de forraje de Palma, con bajo costo y poca agua.
La palma se debe plantar 30 días antes de la temporada de lluvias y cosecha un año después de la siembra. Después de eso  el productor puede tener la palma durante todo el año y aún no tienes que plantar en épocas de sequía para usarla, dice el Coordinador de la EMATER (Empresa de Asistencia Técnica y Extensión Rural) del estado de Minas Gerais. ¡Una gran ventaja !

Hasta los próximos posts.

Fuente: EPAMIG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mapeamento das secas prolongadas * semiárido nordestino

16/10/2015    JY  Geotecnologias

Mapa da vulnerabilidade

Em parceria com o INPE, o CRN – Centro Regional do Nordeste, realizou um mapeamento da vulnerabilidade da população rural a fenômenos climáticos em aproximadamente 200 municípios da Paraíba, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.

Os estudos realizados apontam que essas secas muito prolongadas têm ocorrido com maior frequência no semiárido brasileiro nas últimas duas décadas e levado à redução dos reservatórios e ao colapso de centenas de municípios do Nordeste.

A população rural, que representa 38% dos 23,8 milhões de habitantes da região semiárida, é a mais afetada pelos efeitos das secas, sobretudo os agricultores familiares que compõem 89% dos estabelecimentos agropecuários.

Para o mapeamento, foi criado um índice de vulnerabilidade climática composto por 11 indicadores baseados em dados do IBGE e agências estaduais de meteorologia, considerando aspectos sociais, econômicos, político-institucionais e climáticos.

“Neste trabalho foram adotadas as noções de exposição, capacidade adaptativa e sensibilidade. A exposição se refere à distribuição espacial e temporal de chuvas, ou seja, trata da intensidade da seca a que os agricultores estão expostos. A sensibilidade está relacionada à suscetibilidade do sistema socioeconômico aos eventos climáticos, como prejuízos e impactos. Já a capacidade adaptativa reflete a habilidade dos sistemas socioecológicos de fazer ajustes, se adequar e se recuperar de distúrbios ambientais”, explica Guilherme Reis Pereira, pesquisador do CRN/INPE.

O estudo mostra que a seca não afeta de forma homogênea os municípios do semiárido por causa da distribuição irregular das chuvas entre as microrregiões e, também, pela disponibilidade de reservatórios e existência das bacias hidrográficas. Os municípios do Ceará se destacam com maior capacidade de adaptação em virtude da existência da bacia do rio Jaguaribe e grandes reservatórios.

“O acesso aos recursos hídricos coloca os municípios do leste do Ceará e oeste do Rio Grande do Norte em situação de menor vulnerabilidade por utilizarem um sistema de irrigação, onde a diversificação de produtos e o plantio de frutas compensam a queda da produção de milho, feijão e mandioca, que são culturas predominantes na agricultura familiar. Por outro lado, mapas de exposição e sensibilidade apontam uma alta vulnerabilidade na maioria dos municípios do Seridó potiguar e do oeste da Paraíba, que é a região mais seca do estado e teve grande redução da produção agrícola e do rebanho”, explica o pesquisador.

Resultados parciais do mapeamento do CRN/INPE mostram queda da produção agrícola na maioria dos municípios pesquisados. Nos locais onde a população rural é maioria, com mais de 30% de pessoas ocupadas na agropecuária, o índice de sensibilidade tende a ser mais alto, como nos municípios do Piauí.

O índice de vulnerabilidade é menor, principalmente, onde há irrigação, diversificação de produtos e regularidade de chuva acima dos 500 mm por ano. “Nestes municípios a queda da produção agrícola não foi tão elevada entre 2011 e 2013. Em Lagoa Seca (PB), a queda da produção agrícola e pecuária foi muito baixa em razão de uma média de chuva de 800 mm no período. Além disso, as comunidades da microrregião da Borborema, na Paraíba, recebem capacitação de organizações não governamentais para desenvolver a agroecologia e estabelecer mecanismos de adaptação às condições ambientais, como o banco de sementes nativas que foram selecionadas conforme a produtividade em tempos de seca”, diz Guilherme.

Estudo na Paraíba

Sabemos que a Paraíba é um dos Estados onde a vulnerabilidade as secas é ocorrente principalmente nas mesorregiões do Agreste (uma boa parte), Borborema e Sertão. Com base nesse levantamento, a Paraíba encontra-se praticamente, em termos de vulnerabilidade, igual ao Estado do Ceará com 0,4 correspondente.

grafico paraiba

Fonte: INPE

Viva o nordestino !!!

08/10/2015  JY  Geotecnologias

viva o nordeste

Laboratório da UFCG de Sumé lança cartilha sobre as potencialidades do Bioma Caatinga

29/07/2015    JY  Geotecnologias

Olá todos !!!

O Grupo de Educação Ambiental do LAEB, Laboratório de Ecologia e Botânica do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido da UFCG em Sumé, Paraíba, elaborou uma cartilha sobre as potencialidades naturais do Bioma Caatinga, tendo como base para a criação a Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Almas, localizada no Cariri paraibano.Segundo o assessor de comunicação daquele centro universitário, Rosenato Barreto, trata-se de um produto resultante do trabalho de educação ambiental coordenado pela professora Alecksandra Vieira de Lacerda (LAEB/CDSA) dentro do projeto Consolidação e Conservação da RPPN Fazenda Almas – Paraíba com apoio financeiro do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e Tropical Forest Conservation Act (TFCA), sendo executado pela Associação Plantas do Nordeste – APNE.

Ao dialogar com Stúdio Rural, Barreto explica que a cartilha aborda o Bioma Caatinga através de informações técnicas e científicas bem como de forma lúdica com desenhos, fotografias e poesias que será utilizada como material didático e para tanto exemplares serão distribuídos nas escolas da região do Cariri. “A organização da cartilha é da professora Alecksandra Vieira de Lacerda. A pesquisa e redação do material foi feita pela professora em conjunto com Francisca Maria Barbosa, Maria da Glória Lopes Fragoso, Karla Karem da SIlva, João Paulo Pereira de Lima, Azenate Campos Gomes, José Roberto Lima, Frans German Corneel Pareyn e Maria Regina de Vasconcellos Barbosa, além da participação de estudantes e professores de algumas escolas dos municípios de Sumé e São José dos Cordeiros que contribuíram com a criação de desenhos e poesias”, explica Barreto.
O tema foi evidenciado nos programa Domingo Rural e esperança no Campo e, segundo aquele assessor a coordenadora do LAEB/CDSA pretende com essa cartilha evidenciar as potencialidades naturais do Bioma Caatinga, com a opinião de que essas muitas vezes não são reconhecidas, mas que marcam sua existência na resistência.
Fonte: Stúdio Rural

Técnicas para armazenar água e produzir alimentos ajudam a viver no Semiárido

22/07/2015    JY  Geotecnologias

http://static.paraiba.pb.gov.br/2013/08/

Vamos acompanhar este caso no Estado do Ceará !

A solução para reduzir os impactos negativos da seca está no próprio Semiárido. É o que demonstram diversas famílias e comunidades cearenses que conseguem fazer bom uso dos recursos que ficam escassos nos meses de estiagem. E muita coisa é feita ali, ao lado das casas.

O agricultor João Firmino, 85 anos, desceu a serra de Baturité, no centro-norte do Ceará, na década de 1950 para viver no Sertão Central (historicamente considerada a área mais árida do estado) e conta que, naquela época, não faltava serviço. Para ter água em casa, entretanto, era preciso sair às duas da madrugada em direção a um açude.

Firmino vive na comunidade de Bom Jardim, em Quixadá, há 25 anos. Hoje, ao lado da cisterna-calçadão (que capta água por meio de um “calçadão” construído ao lado do reservatório), ele fica admirado quando a filha Lourdes, 41 anos, pega um balde e retira água de uma pequena abertura. “É muita água, graças a Deus.” As chuvas que caíram em Quixadá entre o final de fevereiro e o início de março praticamente encheram a cisterna de 52 mil litros, cuja água é utilizada para irrigar a produção de frutas, hortaliças e grãos. Na frente da casa, outra cisterna capta água da chuva pelas calhas para consumo familiar.

A agricultora Lourdes Lopes Alves seguiu os passos dos pais e é quem hoje mantém o quintal produtivo da família. De lá, saem não só os alimentos que a família consome. Ela reúne o excedente para vender na feira em Quixadá. Além disso, produz e vende um bolo feito com o milho colhido em casa.

“Seca não se combate”

A segurança hídrica é apenas um dos muitos pontos importantes da convivência com o Semiárido. Odaléa Severo, integrante da coordenação estadual da Articulação no Semiárido (ASA), defende que o acesso à terra e a estocagem de alimentos para as pessoas e para os animais são outros meios de manter as famílias sertanejas em suas terras.

 É preciso criar mecanismos para viver bem no Semiárido. Experiências como essa mostram que isso é possível. Estamos rompendo com um paradigma de combate à seca que foi repercutido ao longo da história.”

Em Nova Russas, na região dos Inhamuns (a 239 quilômetros de Quixadá), a comunidade Irapuá é uma demonstração do potencial do Semiárido. Lá, os produtores se reuniram em associações para organizar o trabalho, que envolve a produção de frutas e hortaliças, de artesanato, de aves e de mel de abelha. O próximo passo da comunidade é conseguir um selo que comprove a excelência do trabalho na produção orgânica de mel. Além disso, os apicultores aguardam a próxima florada, resultado das chuvas recentes, para colocar em funcionamento o novo entreposto – local em que o mel é beneficiado para chegar ao consumidor.

Projeção otimista

A expectativa para as primeiras produções no novo local é um pouco menor. Antes das chuvas, quando a água estava escassa e a temperatura era alta, as abelhas deixaram mais da metade das 320 colmeias de Irapuá. Atualmente, os apicultores contam com, aproximadamente, 150 colmeias.

Mesmo assim, o presidente da Associação Agroecológica de Certificação Participativa dos Inhamuns (Acep), Vicente Pinto de Carvalho Neto, está otimista. Ele estima que, em abril, já haverá mel e que o número de colmeias voltará a crescer. “Como choveu, as abelhas que foram embora voltam, trazem outras e se reproduzem.”

Com as chuvas de fevereiro e março, a cisterna de enxurrada (que capta água diretamente do solo e faz duas filtragens antes de ser armazenada) do quintal do agricultor João Pinto, 52 anos, ficou praticamente cheia. Mesmo assim, ele não deixou de ficar atento ao bom uso da água. Uma tecnologia que ajuda no uso sustentável do recurso é o chamado canteiro econômico.

Trata-se de um espaço de nove metros quadrados onde a irrigação se dá de baixo para cima, por meio de uma tubulação com furos que passa por baixo da terra. A água é colocada por uma abertura e distribuída na terra pelos furos. João estima que o canteiro precise de dez litros de água, enquanto espaços convencionais cheguem a consumir até 40 litros de água.

Algodão agroecológico

Na comunidade de Irapuá, a produção de algodão agroecológico é a principal fonte de renda dos agricultores que trabalham com o manejo ecológico, segundo o presidente da Associação dos Produtores da Agricultura Familiar (Apaf), Antônio Giovane Pinto de Carvalho. No quintal de João Pinto, as primeiras sementes já foram plantadas e as plumas devem ser colhidas entre junho e julho.

Uma empresa estrangeira com sede no Brasil adquire a produção orgânica cearense e já apresentou aos agricultores a meta de comprar 4 mil quilos de pluma de algodão. Um grande desafio para Irapuá, que produziu no ano passado 400 quilos. Além dos agricultores da comunidade, segundo o presidente da Apaf, há cerca de 60 trabalhadores na região dos Inhamuns certificados para produzir algodão agroecológico e mais 50 interessados em trabalhar dentro dessa perspectiva.

Sabedoria sertaneja

Com autonomia para decidir o que plantar e acompanhamento para saber trabalhar com recursos escassos em momentos de seca, o sertanejo não precisa sair de sua terra, avalia o técnico agrícola da Cáritas de Crateús, Edmar Filho. Para ele, o Poder Público tem muito o que aprender com os sertanejos.

“Existe uma troca de conhecimentos, de técnicas de convivência com o semiárido, entre nós, técnicos, e as comunidades que ainda não usam essas técnicas. Elas [as técnicas] são bastante disseminadas entre as entidades que acompanham as comunidades e esperamos que sejam mais disseminadas ainda entre os governos. O Poder Público tem que vir no campo e ver o que os agricultores estão fazendo”, defende.

Fonte: Agência Brasil

Nordeste: superando a escassez

14/07/15   JY  Geotecnologias

http://soberne2010.urca.br/

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Jailson de Andrade, defendeu nesta terça-feira (7) que o Nordeste adote uma agenda de políticas que supere os problemas de escassez, durante audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTCI), sobre iniciativas de desenvolvimento científico e tecnológico na região, ao lado de representantes de governos estaduais.

“A agenda que o Nordeste precisa é a agenda do futuro, porque a atual ainda é a agenda da escassez, em torno da falta de água, alimento, educação”, apontou o secretário. “Se nós perguntarmos às pessoas se querem ir ao Nordeste trabalhar, ainda há uma resistência em relação à condições locais. Mas se perguntarmos no Brasil inteiro quantos querem ir ao Nordeste passar as férias, especialmente no verão, isso já é diferente. Todos querem ir. É a felicidade que a região traz. Acho que essa é a agenda que nós precisamos construir. E certamente as caraterísticas de cada Estado precisam ser respeitadas.”

Jailson lembrou que o ministro Aldo Rebelo criou em maio um fórum com os governadores do Nordeste, a fim de construir uma agenda comum para o desenvolvimento da região. “Os governadores se mobilizaram como um conjunto de lideranças e mobilizaram o MCTI, ao ponto de ser estabelecido um colegiado de estudos voltados á questão”, comentou. “A mobilização está feita e está em curso. Agora, nós precisamos discutir algumas situações que vêm sendo colocadas pelos secretários estaduais, de como efetivar tudo isso.

Segundo o secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará, Inácio Arruda, a agenda comum com o MCTI originou discussões mais amplas, como o 4º Encontro de Governadores do Nordeste, marcado para 17 de julho, em Teresina, cujo tema envolve também as pastas federais da Justiça, da Previdência Social e da Saúde. “Nós queremos ampliar os investimentos em ciência e tecnologia no Nordeste, por conta dessa necessidade absoluta de transformarmos essa nossa região”, disse. “O Nordeste tem um potencial muito grande, que tem crescido com a ampliação da base de formação superior.

Para Jailson, a região tem apresentado “um conjunto expressivo” de bolsistas e projetos, com cerca de 10 mil pesquisadores apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI). Ele destacou a Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), programa instituído em 2004, como referência nacional.

“Temos experiências parecidas no Norte e no Centro-Oeste, mas a Renorbio envolve dez unidades da federação, ou seja, os nove Estados do Nordeste mais o Espírito Santo”, ressaltou. “Essa rede apoia 36 instituições federais de ensino superior, 230 pesquisadores e 600 estudantes de doutorado. Já titulou mais de duas centenas de doutores. Então, é uma iniciativa extremamente robusta e que serve de inspiração para o Ministério neste momento em que nós tentamos agregar todas as redes e ações do País em um grande sistema de biotecnologia.”

Na opinião do secretário do MCTI, o Nordeste se ressente pelo baixo número de parques tecnológicos. “Essas infraestruturas são hoje um ponto de aproximação dos setores acadêmico e empresarial, como polos nacionais e regionais de inovação, não só de ciência”, ponderou. “A região tem apenas quatro dos 28 parques existentes no País, dois em Pernambuco, um em Sergipe e outro na Bahia. E nós acreditamos que esses parques possam vir a ser polos de desenvolvimento”

O secretário da Ciência, da Tecnologia e da Inovação de Alagoas, Pablo Viana, mencionou um item em discussão no Projeto de Lei 2.177/2011, “justamente o apoio para que o pesquisador se afaste temporariamente da universidade por, digamos, três ou seis anos, para que experimente no mercado aquele seu invento”. Na visão dele, “a sociedade não tem mais como esperar que o conhecimento gerado na universidade fique limitado aos muros dos campi, e a ideia dos parques tecnológicos é a necessidade de aproximar a academia das cadeias produtivas“.

Presença

Jailson ainda observou que universidades nordestinas coordenam 16 dos 126 institutos nacionais de ciência e tecnologia (INCTs). “Esse programa também está servindo de inspiração para o novo planejamento que estamos fazendo para a região, que concentra INCTs com grande impacto nacional e local, embora em menor escala no Maranhão, no Piauí e em Alagoas”, contou.

Outro ponto apresentado pelo secretário foram as unidades de pesquisa da pasta na região, o Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTI), em Campina Grande (PB), e o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), em Recife. “Certamente que há uma grande lacuna e um grande desafio para que os vários Estados da federação, em espacial os do Nordeste, venham a ter a presença efetiva do MCTI, através dos institutos instalados por lá.”

Inácio Arruda avaliou a questão: “Nós precisamos ampliar essa estrutura, não criando novos institutos, mas fazendo que esses centros de pesquisa estejam presentes no Nordeste. Agora, estamos buscando levar um núcleo do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer [CTI/MCTI] para o Ceará. Ali naquela região, nós temos a Funceme [Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos], uma instituição estadual que trabalha para toda a região, junto à unidade do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] em Fortaleza, pequena base semelhante à que o Rio Grande do Norte possui.”

Capacitação

O secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação do Maranhão, deputado estadual Bira do Pindaré (PSB-MA), enfatizou que “o Nordeste carece muito mais do que toda e qualquer região do País” de ferramentas que lhe sirvam como fator de desenvolvimento, a exemplo da formação de mestres e doutores, “uma condição fundamental para ampliar o horizonte das pesquisas”.

De acordo com Pindaré, apenas 5% da população maranhense tem ensino superior e o Estado tem proporção de 0,24 doutor e 0,67 mestre por mil habitantes. “Isso nos coloca na última posição do ranking nacional de graduação, mestrado e doutorado”, lamenta. “Evidentemente, nós não temos como pensar em desenvolvimento sem pensar no conhecimento, nas inovações e na tecnologia, dos quais somos cada vez mais dependentes.”

Já o secretário do Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, Paulo Roberto Cordeiro, considera “a inovação como base da nova tecnologia”. Para ele, “é por meio dela que os estados do Nordeste poderão recuperar muito tempo, porque a indústria do conhecimento necessita de melhorias no patamar da mão de obra, em função da velocidade com que tudo acontece hoje em dia”.

Professor permanente da Renorbio, o superintendente de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico do Estado do Piauí, Francisco das Chagas Lima, mapeou os programas de pós-graduação e a desigualdade de recursos nas regiões brasileiras. “Até 2006, o investimento em pesquisa ainda era muito tímido, comparado a outros países, e se concentrava no Sudeste. A partir de 2007, com o Pacti [Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação], houve já uma grande mudança no Nordeste, com o surgimento em maior número de programas de mestrado e doutorado”, observou.

Coordenaram a audiência os deputados federais JHC (SD-AL), proponente do debate, e Sandro Alex (PPS-PR), 1º vice-presidente da CCTCI. Também se pronunciaram os parlamentares Chico Lopes (PCdoB-CE), Hélio Leite (DEM/PA), Luciana Santos (PCdoB-PE), Paulão (PT-AL) e Tia Eron (PRB-BA).

Fonte: MCTI

Mossoró – RN em debate sobre a Transposição do Rio São Francisco *

28/05/15  JY GEOTECNOLOGIAS

Com a iniciativa da Câmara Federal e com o apoio da Universidade Federal Rural do Semi-Árido e da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, será realizado em Mossoró, o Seminário Integração das Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional – Ênfase Eixo Norte – com a Transposição do Rio São Francisco. O Seminário vai acontecer na próxima sexta-feira, 29, das 14 às 19h, no Auditório do Hotel Vila Oeste.

A proposta é promover ampla discussão sobre o projeto de integração da bacia hidrográfica do Rio São Francisco,  com as bacias potiguares, em especial a bacia do Apodi-Mossoró. Serão debatidos os impactos desse projeto, bem como as possíveis destinações desses recursos hídricos, em função das demandas presentes e futuras.

O Seminário contará com duas mesas temáticas, sendo uma técnica acadêmica, e outra política executora, com a presença de professores doutores e de membro de órgãos governamentais, responsáveis pela execução da obra. O evento é gratuito e aberto a qualquer pessoa da sociedade.

Na pauta acadêmica vão ser discutidos temas como: Características da bacia hidrográfica do Rio Apodi-Mossoró; Contextos socioeconômicos e gestão ambiental da bacia do Rio Apodi-Mossoró; Diagnósticos e monitoramentos das águas do Rio Apodi e Mossoró; Demandas e garantias hídricas a partir da transposição e, o Papel do comitê da bacia hidrográfica do Rio São Francisco. A mesa acadêmica será coordenada pelo professor da Ufersa, Dr. Luiz cesar de Aquino Lemos Filho.

Na mesa técnica, a ser coordenada pelo professor e ex-deputado federal, Betinho Rosado, abordará a transposição do Rio São Francisco, com a participação de representantes do Ministério da Integração Nacional, Codevasf, Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do RN e, do Instituto de Gestão das Águas do RN. Os participantes do Semunário vão receber certificado com carga horária de 5 horas.

A inscrição poderá ser feita até o próximo dia 28, no endereço eletrônico:http://proec.ufersa.edu.br/eventos/

Ainda dá tempo !

Fonte: assecom.ufersa

A BIODIVERSIDADE E A VEGETAÇÃO DO SEMIÁRIDO

02/07/14    JY  GEOTECNOLOGIAS

As diferentes tipologias vegetacionais presentes no semiárido do Nordeste brasileiro ocorrem em função da maior ou menor aridez edafoclimática (condição de solo e clima) que, em geral, está associada à distância do litoral, à altitude, à geomorfologia, ao nível de dessecação do relevo, à declividade e posição da vertente em relação aos ventos (barlavento e sotavento) e à profundidade e composição física e química do solo. Por exemplo, no semiárido Nordestino, o aumento da altitude leva a uma redução na temperatura e, em conseqüência, a um aumento na precipitação e disponibilidade de água no solo, principal fator limitante da produtividade primária.

Para a região do Semiárido, os principais tipos de vegetação são a caatinga, as florestas estacionais, os campos rupestres e o cerrado. Esses tipos de vegetação podem ser caracterizados por diferentes conjuntos de grupos taxonômicos de angiospermas. A flora do cerrado e de florestas estacionais representa a continuidade das floras do Brasil Central e da Região Sudeste, respectivamente. No entanto, as floras da caatinga e dos campos rupestres apresentam muitos elementos autóctones (nativos).

Entre os tipos de vegetação no Semiárido está o cerrado, cuja flora representa a continuidade da flora presente no Brasil Central. O cerrado apresenta duas estações bem definidas: inverno seco e verão chuvoso. Com solo de savana tropical, deficiente em nutrientes e rico em ferro e alumínio, abriga plantas de aparência seca, entre arbustos esparsos e gramíneas, e o cerradão, um tipo mais denso de vegetação, de formação florestal, formado por árvores baixas e retorcidas destacadas em meio a gramíneas recobrindo o topo das chapadas)

Representando a continuidade da flora da Região Sudeste, encontramos as florestas estacionais. Com duas estações bem definidas, apresenta o verão com intensas chuvas e um inverno de seca fisiológica provocada pelo intenso frio. É constituída por fanerófitos com gemas foliares protegidas da seca por escamas (catáfilos ou pêlos), tendo folhas adultas esclerófilas ou membranáceas deciduais. A flora de florestas estacionais representa a continuidade da flora da Região Sudeste, Mata Atlântica.

Restrito ao maciço montanhoso da Chapada Diamantina, na Bahia, encontramos os campos rupestres, que constituem um tipo vegetacional predominantemente herbáceo-arbustivo que ocorre acima de 900 m de altitude, sobre arenitos e quartzitos, em condições climáticas mais úmidas do que a caatinga circundante. É um ecossistema encontrado sobre topos de serras e chapadas de altitudes superiores a 900 m com afloramentos rochosos onde predominam ervas e arbustos, podendo ter arvoretas pouco desenvolvidas. Apresenta topografia acidentada e grandes blocos de rochas com pouco solo, geralmente raso, ácido e pobre em nutrientes orgânicos. Em campos rupestres é alta a ocorrência de espécies vegetais restritas geograficamente àquelas condições ambientais.


A Caatinga

Dentre os principais tipos de vegetação do semi-árido, nenhum é mais característico do que a caatinga. Ocupando uma área de aproximadamente 955.000 km2 , está presente em todos os estados inseridos no semi-árido. Vale a pena ressaltar que o bioma caatinga, no qual este tipo de vegetação está inserida, não é compartilhado com nenhum outro país.
A vegetação considerada mais típica de caatinga encontra-se nas depressões sertanejas, uma ao norte e outra ao sul do bioma. Essa vegetação se caracteriza por apresentar um estrato arbóreo de porte relativamente baixo, até 5 m. As árvores e arbustos geralmente têm troncos finos, freqüentemente armados, com folhas pequenas ou compostas e folhagem decídua na estação seca. Cactos e bromélias terrestres são, também, elementos importantes da paisagem da caatinga. O estrato herbáceo é efêmero e constituído principalmente por terófitas e geófitas que aparecem apenas na curta estação chuvosa.

Olhar para uma paisagem da caatinga em período seco pode fazer-nos acreditar que este é um ambiente sofrido, pobre e deserto. Durante muito tempo se acreditou que a caatinga seria o resultado da degradação de formações vegetais mais exuberantes, como a Mata Atlântica ou a Floresta Amazônica. Essa crença sempre levou à falsa idéia de que o bioma seria homogêneo, com biota pobre em espécies e em endemismos, estando pouco alterado desde o início da colonização do Brasil ou ameaçado, tratamento este que permitiu a degradação do meio ambiente e a extinção em âmbito local de várias espécies.

Sabe-se hoje que a vegetação de caatinga é bastante heterogênea. Para se ter uma idéia, somente no Ceará, ela pode apresentar-se na forma de caatinga arbórea (com árvores que chegam a alcançar de 8 a 15 metros de altura), caatinga arbustiva (constituído significativamente por lianas e cactáceas), carrasco (onde predomina um estrato arbustivo bastante fechado), mata seca (de fisionomia arboreo-arbustiva, presente em locais de maior altitude) e cerradão (com árvores de grande porte e vegetação densa e fechada).

Adaptações

As plantas da caatinga possuem adaptações ao clima, tais como folhas transformadas em espinhos, cutículas altamente impermeáveis, caules suculentos etc. Todas essas adaptações lhes conferem um aspecto característico denominado xeromorfismo (do grego xeros, seco, e morphos, forma, aspecto).

Duas adaptações importantes à vida das plantas nas caatingas são a queda das folhas na estação seca e a presença de sistemas de raízes bem desenvolvidos. A perda de folhagem e a modificação de folhas em espinhos ou acúleos no caule de algumas plantas são adaptações que ajudam a evitar a excessiva perda de água por evaporação através da superfície da folha. Há também a presença de plantas com caule suculento, capazes de armazenar água mesmo em períodos de estiagem e plantas com raízes bem desenvolvidas que aumentam a capacidade de obter água do solo.

Biodiversidade
Estudos recentes indicam que grande parte do patrimônio biológico da Caatinga não é encontrada em nenhum outro lugar do mundo. Mesmo diante de tamanha importância, a Caatinga é o terceiro bioma mais devastado do Brasil, numa lista encabeçada pela Amazônia, seguida pelo Cerrado.
Porém, se considerarmos o número de áreas protegidas nestes três biomas, a Caatinga possui o menor número de unidades de conservação, sendo portando o bioma mais vulnerável. Cerca de 45% de sua área já foi desmatada. Somente entre 2002 e 2008, a caatinga perdeu 16.500 km² de sua cobertura original. A taxa anual média de desmatamento entre 2002 e 2008 foi de 2.763 km².

Por ter essas especificidades, o Semiárido apresenta alto grau de espécies endêmicas. Essas espécies apresentam suas adaptações ao semiárido, as plantas são caducifólias (perdem suas folhas nas estações secas) e apresentam folhas modificadas em espinhos para evitar a perda d’água. Os répteis e os anfíbios, por exemplo, tem hábitos noturnos, apresentam atividades fortemente relacionadas ao período chuvoso, vivem próximos a locais úmidos, desovam em ninhos de espuma e se enterram para sobreviver a períodos mais secos.

Algumas espécies endêmicas estão listadas abaixo:

Flora

Copaifera mortii > Copaibarana
Cordia leucomalloides > Pau-d’óleo
Croton argirophyloides > Marmeleiro-branco
Hymenaca eriogyme > Jatobá
Mimosa caesalpinifolia > Sabiá
Auxemna oncocalyx > Pau-branco-preto
Zanthoxyllum stelligerum > Limãozinho

Mamíferos
Kerodon rupestris > mocó
Wiedomys pyrrhorhinus > rato

Aves
Caprimulgus hirundinaceus cearae > Bacurauzinho-da-caatinga
Paroaria dominicana > Galo-de-campina
Picumnus pygmaeus > Pato-de-asa-branca
Sakesphorus cristatus > Choca-do-nordeste
Hylopezus ochroleucus > Torom-do-nordeste
Gyalophylax hellmayri > João-chique-chique
Megaxenops parnaguae > Bico-virão-da-caatinga

FONTE:

SILVA, J.M.C. et al (org), 2003: A Biodiversidade da Caatinga: áreas e ações prioritárias para a conservação. Ministério do Meio Ambiente

ANA X Semiárido : seleção de projetos de reúso de efluentes agrícolas

16/06/14   JY  geotecnologias

A Agência Nacional de Águas (ANA) receberá inscrições de propostas de ações de reúso agrícola de efluentes tratados no Semiárido para a chamada pública “Seleção de propostas para Desenvolvimento de Ações de Reúso Agrícola de Efluentes Tratados no Semiárido Brasileiro”. Os trabalhos podem ser realizados por municípios, estados ou consórcios intermunicipais e as inscrições devem ser realizadas através do Portal de Convênios SINCONV, página que contém o edital na íntegra.

 A seleção busca escolher propostas de reúso agrícola de efluentes tratados no Semiárido em municípios com até 50 mil habitantes, para que sirvam de difusoras e multiplicadoras da prática de reúso agrícola. Este tipo de iniciativa pode evitar, por exemplo, que a água descartada no campo polua rios. Ao mesmo tempo, os efluentes podem ser aproveitados para irrigar plantações para alimentar gado, evitando a morte de bovinos e outros animais do Semiárido. Os três trabalhos demonstrativos selecionados serão financiados, via contrato de repasse, num total de R$ 4 milhões do orçamento da ANA. Os recursos somente serão liberados, conforme as etapas dos projetos sejam realizadas.

 Com os trabalhos selecionados, a ANA busca estimular ações que contribuam com o saneamento e a qualidade de vida das regiões e municípios beneficiados, ajudando a reduzir a mortalidade infantil e a aumentar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) local. Entre outros possíveis benefícios, as propostas também podem auxiliar na melhora da qualidade dos corpos d’água, na alimentação dos rebanhos da região, além de incentivar a ampliação da área irrigada e o aumento da produtividade na agricultura.

 O edital contempla ações em três vertentes: implantação de novo sistema de tratamento de esgoto e de sistema de reúso agrícola de esgoto tratado; adequação de sistema de tratamento de esgoto existente e implementação de sistema de reúso agrícola de esgoto tratado; e adequação de sistema atual e instalação de novo sistema de tratamento de esgoto e implementação de sistema de reúso agrícola de esgoto tratado.

 A primeira etapa do processo seletivo é para habilitação das propostas prévias. Em seguida vem a fase de avaliação dos projetos. Por último, a Agência Nacional de Águas fará a análise e a seleção dos trabalhos habilitados e formará um Banco de Propostas, que será composto por aquelas classificadas e não aproveitadas em virtude da limitação de recursos do edital. Caso surja disponibilidade orçamentária, estas propostas poderão ser financiadas.

 A ANA publicou em 3 de junho a Retificação nº 1 do edital. Onde está escrito “Interveniente Executor”, os interessados devem considerar como “Unidade Executora”. Outra mudança está no 3º parágrafo da página 7 do edital: O Proponente, em caso justificado, poderá indicar em sua Proposta Prévia órgão/entidade da administração pública ou entidade privada para atuar como interveniente. Poderá também indicar órgão/entidade da administração pública para atuar como unidade executora, com a condição de que esta pertença ou esteja vinculada à sua estrutura organizacional. Em casos específicos, a determinação de que o Proponente apresente um ou mais intervenientes e que exista a figura de uma unidade executora poderá também ser feita pela ANA ou pelo Agente Financeiro, a seus critérios.

Fonte:Raylton Alves – ASCOM/ANA

 

Algarobeira: um perigo ou um benefício para o bioma caatinga?

29/05/14   JY  geotecnologias

Segundo Rafael Nunes, Eng. Agrônomo, Recife , “a algarobeira tem sofrido restrição principalmente com referência a três aspectos: que mata os bovinos, que “puxa” muita água do solo e que é desertificante devido ao fato de não vegetar outro tipo de planta onde ela está ocupando (notadamente onde se encontra muito adensada). Ao observarmos as atitudes das pessoas que se referem aos “perigos” da algarobeira tem-se a impressão de que se trata de uma verdadeira histeria.Ao se analisar bem, chega-se a conclusão de que na verdade há um grande exagero e que não há nenhum motivo de maior preocupação. Ela realmente pode chegar a causar a morte de bovinos, se for fornecida a estes como alimento exclusivo. O absurdo consiste no fato dos criadores não se preocuparem em produzir qualquer outro alimento para que a vagem da algarobeira seja fornecida como o concentrado que ela realmente é. Deve ser fornecido aos bovinos alimentos volumosos como silagem, feno, palma, mandacaru, macambira, agave e qualquer outro produto como capim seco, cambão de milho desintegrado, etc”, completou.

Quanto a visão do pesquisador da Embrapa Semiárido, Clovis Eduardo, a degradação da caatinga é que facilita a invasão da algarobeira no sertão. Nas áreas onde o ecossistema natural está preservado, a espécie, que é exótica, não consegue se dispersar de forma indiscriminada e ocupar o espaço da vegetação nativa, mesmo nos locais mais úmidos, a exemplo das áreas de matas ciliares e de galerias. Esta é uma das conclusões da tese de doutorado – “Comportamento invasor da algarobeira (Prosopis julifora) (Sw) DC. nas planícies aluviais da caatinga” – defendida este ano pelo pesquisador Clóvis Eduardo de Souza Nascimento, da Embrapa Semiárido, junto ao Departamento de Biologia Vegetal da Universidade Federal de Pernambuco.

Neste estudo, ele analisou o comportamento da algarobeira em 10 áreas dos municípios de Petrolina e Dormentes, em Pernambuco, e Juazeiro e Jaguarari, na Bahia. Em cada uma delas, coletou informações de três ambientes contínuos, a partir da margem de rio/riacho, que o pesquisador nominou de planície aluvial, terraço aluvial e platô. Ou seja: de um ponto de maior umidade para outro mais seco.

Agressiva – Para Clóvis, a presença dessa planta por todas as zonas agroecológicas do semiárido brasileiro registra o mais grave fenômeno de invasão biológica de uma espécie exótica sobre a vegetação da caatinga. A agressividade desta invasão pode ser observada em extensas áreas de “baixios”, principalmente, nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Pernambuco e Bahia. Nestes locais, o denso povoamento de algarobeiras domina a paisagem. O que se vê é a presença quase que exclusiva de indivíduos dessa espécie.

O pesquisador destaca que os estudos sobre a algarobeira precisam abrir perspectivas de uso racional da planta nos sistemas agrícolas e mesmo em processamentos industriais, ou ainda estabelecer estratégias de manejo a fim de inibir sua característica invasora. Atualmente, são estimados 500 mil hectares ocupados por indivíduos dessa espécie no semiárido e sem qualquer estimativa de quanto dessa área corresponde a plantios efetivamente feitos por agricultores ou à dispersão por meio de animais, sem controle algum.

Útil – Uma área deste tamanho ocupada espontaneamente por indivíduos de uma mesma espécie só mostra o quanto está adaptada e estabilizada no ambiente. E, embora localizada em ambientes ciliares, considerados como Áreas de Preservação Permanente – APP, o corte puro e simples para permitir a recomposição da vegetação nativa é algo totalmente fora de cogitação. A algarobeira tem muitas qualidades agrícolas. Além de ser importante como forrageira, as vagens das plantas se prestam para vários fins na alimentação humana, à partir da confecção de farinha, bolos, biscoitos, café, geléia, licor, cachaça e vinagre.

No semiárido, costuma ainda ser utilizada como produto madeireiro (mourões e estacas para cercas) e energético na forma de lenha e carvão, que são muito utilizados nas propriedades rurais. Em tempos recentes tem sido empregada em setores econômicos que, nas áreas urbanas do semiárido, fazem uso de fonte energética vegetal (padarias, pizzarias, churrascarias, curtumes e outras indústrias). É uma planta de muitos recursos que precisa de estudos para ganhar sustentabilidade no semiárido, explica Clóvis.

Barreira natural – Na tese de doutorado, o pesquisador realizou investigações para explicar uma lacuna presente em grande parte dos estudos acerca da invasora: o seu desenvolvimento nos ambientes de “baixios”. Uma constatação sua foi o estado de depredação da caatinga. “A vegetação ciliar dos afluentes do rio São Francisco, que corta os sertões nordestinos, está quase eliminada devido à exploração extrativista. As terras de fundo dos vales, melhores para fins agrícolas, são as mais atingidas”.

Esse cenário de degradação da biodiversidade da caatinga é que abre caminho para a dispersão da algarobeira, em especial nas áreas de maior umidade, explica Clóvis. Isto está bem documentado na sua tese: nos locais mais próximos ao leito de riachos e desprovidos de mata nativa foram registrados maior população da espécie exótica. À medida que o pesquisador deslocava sua observação para pontos distantes dos riachos, portanto, mais secos, menor foi a presença de plantas de algarobeira, não afetando, dessa forma, a riqueza e diversidade das espécies nativas, mostrando a dificuldade da exótica para invadir ambientes mais secos e com a vegetação em estágio avançado de sucessão.

Para ele, aí está uma evidência de que a algarobeira não irá invadir o bioma caatinga de forma indiscriminada. O estresse hídrico é uma barreira natural à sua proliferação desordenada por grandes áreas parte do semiárido. Entretanto, somente nos ambientes degradados e com a vegetação em desequilíbrio, nas zonas agroecológicas com maior umidade, a planta exótica entra em competição acirrada com as nativas provocando a morte de muitas delas. Espécies que foram testadas em competição com a algarobeira: mulungu (Erythrina velutina), alagadiço (Mimosa bimucronata), caatingueira-rasteira (Caesalpinia microphylla), pau-ferro (Caesalpinia ferrea) e jurema-preta (Mimosa tenuiflora), mostraram diminuição da altura, do diâmetro do tronco e da área foliar, com o aumento de mortalidade dessas nativas.

Manejo – As espécies pau-ferro e jurema preta tiveram um comportamento que, para o pesquisador, que pode ser melhor aproveitado em ações de recomposição da vegetação original nas áreas invadidas. As duas foram as que menos morreram e mais cresceram, na competição com a algaroba. Na tese, o pesquisador propõe aos agricultores monitorar as áreas invadidas. Para controlar a disseminação desordenada de indivíduos dessa espécie, pode se recorrer a capinas e podas ou, ainda, à aplicação de herbicidas seletivos nas plantas ainda pequenas.

A aplicação de produtos químicos surte o efeito de controle se aplicados no período de maior sobrevivência e esperança de vida que é de 75 dias em locais de maior umidade. O agricultor pode ainda processar as vagens para produzir forragem (torta e farelo) e evitar o pastejo de animais nas áreas invadidas, para conter a disseminação e o aumento populacional de Prosopis juliflora.

Fonte: Marcelino Ribeiro – ES