Inovações no Sistema de Plantio Direto

20/08/14   JY  Geotecnologias

O sistema de PD (Plantio Direto) foi introduzido na região sul do Brasil no começo da década de 1970. Esse sistema se caracterizou como uma alternativa de manejo do solo para o controle da erosão, que havia se agravado, devido ao avanço do cultivo do binômio trigo-soja na região.
Em decorrência das elevadas taxas de erosão, a manutenção dos níveis de produtividade das culturas estava exigindo reposições cada vez maiores de adubos e corretivos para compensar as perdas de solo fértil. Num primeiro momento, esses custos com a reposição de insumos foram mascarados pelos fortes subsídios oferecidos pelo governo, tornando os agricultores menos sensíveis a esse problema. Porém, o agravamento do processo erosivo e a redução dos subsídios ao crédito rural contribuíram para que os custos com a reposição dos fertilizantes passassem a representar um custo real, o que acabou sensibilizando os agricultores e contribuiu para que eles se tornassem mais receptivos às técnicas de conservação do solo.

Nesse período, o PD só se expandiu nas regiões onde havia o interesse por parte dos agricultores de adotar o sistema. Nas áreas onde não existia esse interesse, os agricultores não adotaram a tecnologia, mesmo com o intenso trabalho de difusão realizado pelas empresas de insumos agrícolas. Na região Norte do Paraná, por exemplo, apesar do intenso trabalho de difusão realizado pelas empresas, os agricultores não se interessaram

pelo sistema. Isto porque o principal mecanismo indutor do PD era o controle da erosão, e os solos da região não apresentavam graves problemas nesse aspecto. Além disso, os solos da região são bastante férteis, fazendo com que o impacto financeiro dos problemas provocados pela erosão (isto é, uma maior necessidade de adubação) não fosse sentido pelos agricultores. Assim, mesmo com todo os esforço das empresas, os agricultores não adotaram o sistema nesse período.

Contudo o agronegócio juntamente com as vantagens competitivas tendea competência em termos de custo, qualidade dos produtos e estratégias mercadológicas, as quais necessitam de avanços tecnológicos que são de sumaimportância para seu desenvolvimento no mercado e a preservação do meio ambiente.

OBSTÁCULO PARA O PLANTIO DIRETO

Embora teoricamente o plantio direto possa ser aplicado à maioria dos cultivares no mundo todo, o custo do equipamento necessário e dos herbicidas o torna proibitivo para muitos agricultores, muitos deles pequenos produtores. Custos à parte, a própria pobreza leva os agricultores a utilizar, por exemplo, os resíduos das lavouras e o estrume de animais como combustível e a cultivar a terra para obter lucros rápidos, a curto prazo, em vez de investir num planejamento de longo prazo.

Dentre os 25 milhões de fazendas existentes no mundo, aproximadamente 85% têm menos de 2 hectares. A esmagadora maioria dessas pequenas propriedades – 87% – está localizada na Ásia. A África abriga 8% delas. A adoção da prática de plantio direto nessas regiões, onde os benefícios potenciais são maiores, é praticamente desprezível.

OS DOIS LADOS DO PLANTIO DIRETO

VANTAGENS

Reduz a erosão do solo

Preserva a água

Melhora a saúde do solo

Reduz os custos de combustível e de mão-de-obra

Reduz a poluição de lagos e riachos por ação de sedimentos e fertilizantes

Seqüestra carbono

DIFICULDADES

A transição da lavoura convencional para o plantio direto não é fácil

Os equipamentos exigidos são caros

Há forte dependência de herbicidas

O predomínio de ervas daninhas, doenças e outras pragas resultam em alterações imprevisíveis

No início, pode exigir mais fertilizantes nitrogenados

É possível atrasar a germinação e reduzir a produção

[UM CASO PARA PLANTIO DIRETO] RECUPERANDO O SOLO

A preservação do solo é fundamental, considerando a lentidão com que ele se recupera…

Uma desvantagem básica do cultivo convencional é que ele favorece a erosão da camada superior do solo, particularmente em áreas em declive. O cultivo deixa a superfície do solo exposto e vulnerável à enxurrada, e a cada aração o solo é empurrado encosta abaixo. Como conseqüência, o solo vai afinando. Esse processo leva certo tempo e depende não só da velocidade com que a aração empurra o solo encosta abaixo – e o vento ou a enxurrada leva embora –, mas também da rapidez com que o subsolo se quebra para formar solo novo.

Nos anos 50, quando o Serviço de Conservação do Solo dos Estados Unidos – hoje conhecido como Serviço de Conservação dos Recursos Naturais – começou a definir as taxas toleráveis de erosão do solo de terras agricultáveis, não se dispunha praticamente de nenhum dado sobre as taxas de regeneração de solo. A agência criou então os chamados valores toleráveis de perda de solo, ou valores T, definidos com base no que os agricultores poderiam fazer para reduzir a erosão, sem “impacto econômico indevido”, usando equipamentos convencionais de cultivo. Os valores T equivalem a 1 mm de erosão por ano. Pesquisas recentes, no entanto, mostraram que a taxa de erosão é muito mais rápida que a taxa com que o solo se recupera.

Ao longo das últimas décadas os cientistas determinaram que medidas das concentrações de certos isótopos, que se formam a uma taxa conhecida no solo, permitem uma quantificação direta das taxas de produção de solo. Aplicando essa técnica a solos em regiões temperadas no litoral da Califórnia e no sul da Austrália, o geólogo Arjun Heimsath, da Arizona State University, e seus colegas encontraram taxas de produção de solo variando entre 0,03 e 0,08 mm por ano. Com essa velocidade, seriam necessários cerca de 125 a 335 anos para formar 1 cm de solo nesses locais. Minha própria compilação global de dados a partir de estudos sobre produção de solo, publicada no ano passado no Proceedings of the National Academy of Sciences USA, revelou uma taxa média de 0,0175 a 0,036 mm por ano – equivalente a cerca de 280 a 570 anos para formar 1 cm de solo.

O solo em encostas não-agredidas, em latitudes temperadas e tropicais, tem geralmente de 30 a 90 cm de espessura. Com taxas de produção de solo naturais de séculos a milênios por centímetro e taxas de erosão de centímetros por século, no caso da agricultura feita com aração, seriam necessários somente de algumas centenas a alguns milhares de anos para arar o solo dessas regiões. Essa estimativa simples prediz perfeitamente bem os períodos de vida das maiores civilizações agrícolas em todo o mundo. Com exceção dos vales férteis de rios ao longo dos quais a agricultura se desenvolveu no início, as civilizações, em geral, duraram de 800 a 2 mil anos. Estudos geo-arqueológicos recentes mostraram uma conexão entre a erosão do solo e o declínio de muitas culturas antigas.

É evidente, então, que se quisermos preservar os recursos naturais para as gerações futuras precisaremos de alternativas para os métodos de cultivo do solo. Sistemas de plantio direto tanto reduzem a força erosiva da enxurrada quanto aumentam a capacidade do solo de se manter como tal, tornando esses métodos extremamente eficientes na contenção da erosão. Em um estudo publicado em 1993, pesquisadores da University of Kentucky verificaram que métodos de plantio direto reduziram tremendamente a erosão do solo, chegando a 98%. Mais recentemente, pesquisadores da University of Tennessee relataram que o cultivo de tabaco com plantio direto diminuiu a erosão do solo mais de 90% em relação ao seu cultivo convencional. Embora o efeito do plantio direto, nas taxas de erosão, dependa de certas variáveis locais, como o tipo de solo e do cultivo, ele pode baixar as taxas de erosão até níveis próximos aos das taxas de produção de solo.

Em meados da década de 90 pesquisadores da Cornell University estimaram que recuperar o solo de danos provocados pela erosão custaria aos Estados Unidos US$ 44 bilhões por ano e que seria necessário um investimento anual de cerca de US$ 6 bilhões para fazer as taxas de erosão das terras cultiváveis se igualar às taxas de produção do solo. Esses pesquisadores também estimaram que cada dólar investido na conservação do solo faria a sociedade economizar mais de US$ 5. Como é extremamente caro repor o solo perdido nos campos, o melhor a fazer, empregando a estratégia de maior custo-benefício para a sociedade como um todo, seria, em primeiro lugar mantê-lo onde está.

Fonte: David R. Montgomery

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Sobre Jana Yres

Graduação em Engenharia Agrícola-UFCG , Atuação profissional: AESA (Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba). Áreas de atuação: Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto. Aplicação de aulas de SIG e PDI , atuação nas áreas de agrometeorologia, irrigação e drenagem (zoneamentos agrícolas), trabalhos em campo com dimensionamento de áreas (Agrimensura) e Mapeamentos aplicados a projetos rurais, florestais e recursos hídricos. Gestão Ambiental - analise e consultoria. É professora de Língua Espanhola. Participa de um projeto social da UFCG, o cursinho pré-vestibular solidário.

Publicado em 20/08/2014, em Agricultura e Engenharia, Novidades (Eventos / Cursos / Produtos). Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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