Limitações na AVICULTURA do Nordeste do Brasil

02/06/04   JY  geotecnologias

Segundo pesquisas recentes, a cada ano a produção de carne de frango no Brasil vem crescendo, prova disso é o balanço produtivo de 2011 que apresentou um recorde de 12,9 milhões de toneladas. O aumento na produção se deu principalmente, à forte demanda doméstica (movida pela alta dos preços da carne bovina, que forçou os consumidores a trocar o consumo pela carne de frango) e ao crescimento das exportações de carne de frango brasileira.

A região nordeste do Brasil, mesmo tendo enorme potencial produtivo corresponde por apenas 9% da produção nacional de carne de frango e tem como principal estado produtor Pernambuco, nosso vizinho. O Ceará possui 95,4 milhões de aves alojadas, o que corresponde a aproximadamente 1,6% da produção nacional. Esse grande potencial produtivo da região provém principalmente de condições como a baixa amplitude térmica, ou seja, pouca variação na temperatura durante todo o dia e também temperaturas muito próximas à ideal recomendadas durante as primeiras semanas de vida das aves. Nota-se que o sistema de produção animal e a ambiência são campos importantes para o desenvolvimento e produtividade do animal em questão!

Mesmo com um vasto mercado consumidor, os produtores da região nordeste têm que superar diversos obstáculos que muitas vezes atrapalham o crescimento produtivo na região, como, por exemplo, as longas distâncias que os insumos (principalmente soja e milho) têm que percorrer para chegar às granjas, o que encarece o produto final e acaba inviabilizando maiores investimentos ao longo da cadeia produtiva. Outro fator que interfere no crescimento da avicultura nordestina é a carência de estudos específicos para a região, principalmente no que diz respeito às pesquisas voltadas à questão da ambiência e da padronização das instalações, que variam muito, entre e dentro das propriedades, inviabilizando assim a adoção de práticas e manejos que diminuam as perdas dos processos produtivos. Importanntissímo para atender a uma avicultura.

Dentre tantos estudos e pesquisas, o Núcleo de Estudos em Ambiência Agrícola e Bem-Estar Animal (NEAMBE), surge para tentar resolver as questões levantadas pelos produtores da região nordeste do Brasil, através de pesquisas baseadas na realidade dos produtores da região para proporcionar resultados que possam ser aplicados pelos mesmos de forma direta. O primeiro estudo que já está sendo realizado visa a escolha de um melhor modelo de galpão para criação de frangos de corte para a região, uma vez que, as instalações construídas no Nordeste são, muitas das vezes, baseadas em projetos provenientes de outras regiões do Brasil e até de outros países e que nem sempre apresentam o desempenho esperado.

O resultado desse estudo irá permitir uma recomendação de instalação e também em se pensar em uma “padronização” dos galpões para o clima nordestino (semiárido), relacionando principalmente fatores como largura, comprimento e altura do pé-direito, além de fatores como posicionamento em relação aos ventos predominantes e orientação, além de verificar a eficácia de métodos de sombreamento artificial e posicionamento de ventiladores e nebulizadores no interior dos galpões.

Esse grupo o NEAMBE também estará realizando estudos relacionados às condições de bem-estar dos animais, o que irá permitir ao produtor saber o que os animais estão “sentindo” ao longo de todo o seu ciclo de produção, permitindo um manejo diferenciado e específico para cada fase, com relação às condições ambientais da região nordeste. Com isso, espera-se sanar um dos problemas considerados por muitos como barreira para a produção animal na região nordeste, que é a questão do estresse térmico. Os desafios são grandes, como por exemplo os fatores econômicos, climáticos, enfim, mas temos a consciência de que a região nordeste tem um potencial produtivo tão bom quanto ao das outras regiões brasileiras.

Fonte: Núcleo de estudos em Ambiência Agrícola

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Sobre Jana Yres

Graduação em Engenharia Agrícola-UFCG , Atuação profissional: AESA (Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba). Áreas de atuação: Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto. Aplicação de aulas de SIG e PDI , atuação nas áreas de agrometeorologia, irrigação e drenagem (zoneamentos agrícolas), trabalhos em campo com dimensionamento de áreas (Agrimensura) e Mapeamentos aplicados a projetos rurais, florestais e recursos hídricos. Gestão Ambiental - analise e consultoria. É professora de Língua Espanhola. Participa de um projeto social da UFCG, o cursinho pré-vestibular solidário.

Publicado em 04/06/2014, em Agricultura e Engenharia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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